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sexta, 03 setembro 2010
 
 
Somos todos aprendizes - Silas Corrêa Leite PDF Imprimir E-mail
Escrito por Silas Corrêa Leite   
quinta, 02 agosto 2007
Mais um artigo de Silas Corrêa Leite

Somos todos aprendizes
 

É interessante o Saber. Mais do que sermos aprendizes, estamos diuturnamente e para sempre aprendizes. Se vivêssemos mil anos, lêssemos milhares de livros, fizéssemos dezenas de faculdades, o que saberíamos? Um por cento de tudo, se tanto. Há tanto para se aprender, um infinito de coisas.

A vida é um eterno aprendizado. Um amigo meu diz que da vida só levamos o Amor e o Conhecimento. Podemos nos especializar sobre física quântica, fauna marinha, pintura abstrata, rock moderno, pós-modernismo, mas, e os outros zilhões de temas que nunca saberemos? Para conhecermos a técnica de solar violino, pintar paredes, assar quibe no espeto, geologia lunar, astronomia, e milhões de outros assuntos, uma vida só é muito pouco. Há outros novos céus e outras novas terras?

Na cada do pai há muitas moradas, diz os Evangelhos... Outros teorizam que vivemos mesmo 9 meses. Depois vamos morrendo um pouco. Vivendo e aprendendo. Cada dia, um dia a menos. Instantes, segundos, minutos. Conquistas íntimas, evoluções. Morre-se a cada dia? Ou é morrendo que se nasce (e se ascende) e brilha para a vida eterna? Perdemos a beleza, os cabelos, os dentes, a saúde, os amigos, as pessoas que amamos. O aprendizado da perda. Da ausência. Por isso existem os poetas, as baladas de amor, os pintores, os romancistas. Tudo é Soma. O primeiro amor, o primeiro adeus, o primeiro trauma, tudo uma maneira de irmos desse mundo, e também de evoluirmos, no amor e na dor. Temos que tirar lições de tudo na vida. Dias são aulas. Nossos problemas são nossos professores também? E os nossos melhores amigos são os nossos Mestres.

Quem não se dá bem com um Professor, vai se dar bem com quem? A pedra bruta, para se tornar diamante, tem que sofrer o sacrifício do fogo, da perda de um tanto de si. Nascemos para o aprendizado. Sempre. Andamos para frente. Criamos para cima. Produzimos conhecimentos, a vida toda. Descobertas. Canteiros. E vamos semeando os nossos passos, dias, abraços, emoções. Um Poeta cantou: - Há pessoas que passaram pela vida e perderam a viagem! Acho que assim é a vida. Ainda velhos, na sabedoria dos tempos, quantas vezes aprendemos um sorriso novo, uma nova forma de ver a vida, uma balada de incêndio, uma técnica de nos reconhecermos em nós? A criança é um poço de pureza. Jovem é energia, busca, sonho, procura. No final da vida, um lastro. 

Como Educador, aprendo com alunos. Troco com eles. Eles dão-me luz e eu ofereço técnicas, noções, bases, aprendizados, traquejos. Facilito. Há os que oferecem a vida por uma causa e, ao fim dela, notam, num dia qualquer, que viveram em vão. Uma rua, um mar, um segredo, uma paixão. Tudo um grande livro aberto: o aprendizado da vida. Lemos e nos encontramos. Choramos e crescemos. Sorrimos e criamos elos de luz. Há um Deus. Cada um já deu de per-si, a sua cota de soma para uma vida ética, humanitária, plural? Minha mãe, à beira do rio Itararé, usando-se de termos antigos como guaiú, forfé, cainho, maleixo, deusolivre, crendêospadre e tantos outros, deu-me um repertório, para a minha lavra de Sentidor. Poeta aprendiz. Encantários. Meus sobrinhos-filhos e alunos-filhos dão-me palavras novas.

É preciso mesmo amar as pessoas como se não houvesse amanhã.  Um filme, uma tempestade, um livro, um site, uma aula, uma vida inteira, são sempre Lições da Viagem de Existir. Sim, somos todos eternos aprendizes. A vida é uma grande lousa. O calendário de nossos dias, são páginas abertas. Vamos dando testemunhos de nós. Aprendizados. Técnicas e lastros. Bagagens e somas. Elos e sabedorias. Como dizia a canção de Caetano Veloso que a Gal Costa cantava: É preciso estar atento e forte!  Claro. Para não perder o filé da essência do verbo EXISTIR.

 

Quando soubermos todas as lições, VOAREMOS?

 

Silas Corrêa Leite, Estância Boêmia de Itararé-SP. Teórico da Educação e Jornalista Comunitário. Pós-graduado em Literatura na Comunicação (ECA) e Direitos Humanos (USP). Prêmio Lígia Fagundes Telles Para Professor Escritor

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Autor de Campo de trigo Com Corvos, Contos, Editora Design

 
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