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quinta, 09 setembro 2010
 
 
Evasão de privacidade, fenômeno a ser analisado PDF Imprimir E-mail
Escrito por José Roberto Rodrigues   
segunda, 02 fevereiro 2009
ImageUma nova riqueza intelectual vem aprimorar ainda mais este nosso ROL: José Roberto Rodrigues.  Carioca, vascaíno, cientista social, pós graduando em Sociologia Urbana pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e professor de Sociologia da Rede Estadual de Educação do Rio de Janeiro, José Roberto é o nosso novo colunista-colaborador, que enviará suas matérias diretamente do Rio de Janeiro, onde nasceu e reside. (Helio Rubens - editor) 

  Nesta minha primeira coluna para este veículo, confesso que um misto de temor e expectativa se abateu sobre mim.

 Como começar uma trajetória?

 O pontapé inicial deve ser dado com a parte de dentro do pé ou um biquinho basta?

 Decidi seguir o conselho do pensador chinês Chung Tsu, que viveu no século III a.c e afirmou que “o fácil é o certo” e é no simples que eu vou.
 
 Neste mês de janeiro começou a nona (!) edição do Big Brother Brasil, programa líder no horário, que gera milhões em patrocínios, alavanca a audiência cada vez menor da Vênus Platinada e gera uma comoção nacional, que muito provavelmente deve ser maior do que a causada pela eleição para a Presidência da República.

 A privacidade é um valor agregado essencial para a vida humana, no entanto podemos perceber que ela é cada vez menos importante na sociedade em que vivemos. Cada vez mais pessoas vendem sua privacidade a preço vil.

 Indago-me a respeito do interesse de milhões de pessoas a respeito da vida de pessoas das quais não conhecem, as pessoas param seus afazeres para ver um grupo de pessoas na TV comerem, namorarem, tomarem banho. Na minha visão é o mesmo que fazemos quando vamos ao zoológico, quando vamos aquele local onde os animais estão confinados, não tentamos perceber e nos entretermos com seus hábitos? O BBB nada mais é que um zoológico protagonizado por seres humanos.

 A curiosidade em ver como os animais se portam em cativeiro é uma alegoria, uma fantasia, uma tentativa patética de aprisionar a natureza, de cercar e estabelecer uma beleza controlada, no entanto um condor quando não está voando nos Andes não é condor, numa jaula por maior que ela seja, na verdade vemos um sub-condor, um simulacro, uma pálida representação do que é um condor na sua essência.

 Isso também se dá em relação a nossa espécie. Gente na prisão, gente cercada por câmeras invasivas, não é gente, é ilusão, o que faz de um ser humano pessoa na melhor concepção do termo é a liberdade; e a privacidade é condição sine qua non disso.

 Outro questionamento que faço é: será que as mesmas pessoas que se interessam a respeito da vida de terceiros, de totais desconhecidos prestam a mesma atenção em relação aos seus mais próximos?
 
 Será o BBB um mal da pós-modernidade, assim como as páginas de relacionamento, os blogs e fotologs ou trata-se de um fenômeno novo que já foi chamado de “evasão da privacidade”, que é a tentativa da pessoa em publicizar sua intimidade, abrir suas entranhas para que todos possam olhar dentro, morbidamente dentro.

 Necessitamos de uma análise mais profunda para chegarmos a uma conclusão mais apurada sobre esse fenômeno, no entanto podemos afirmar que mais um ídolo nacional vai surgir, um ícone vai nascer, uma estrela (de) cadente será criada para que , irremediavelmente, o ostracismo a atropele.
Ninguém olha durante muito tempo para uma gaiola.

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Atualizado ( segunda, 02 fevereiro 2009 )
 
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